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Dossiê de Inclusão

Page history last edited by Ana Adalia da Silveira Martins 2 years, 10 months ago

                                            

 

DOSSIÊ DE INCLUSÃO

 

 

                                            Minha experiência com Inclusão

 

 

     Eu já tive uma inclusão, um menino com síndrome de Dow, já faz uns quatro anos. Minha turma era de educação infantil, maternal 2. Meus alunos tinham de 2 a 3 anos de idade e ele tinha 4 anos pois recém tinha deixado as fraldas, então a direção achou melhor ele ficar na turma dos pequenos. Ele ainda não falava, apenas fazia gestos, mas quase não se entendia nada. O problema maior é que ele era agressivo com os colegas de vez em quando, e eu não sabia como lidar com ele, fiquei muito preocupada no começo. Mas depois os colegas foram acostumando, e não sentiam mais medo dele.

     As atividades de desenho e pintura chamavam muito sua atenção, quando ele estava fazendo uma, sorria e me olhava mostrando sua produção. Mas em alguns dias eu não conseguia fazer nada com ele, pois tinha 26 crianças na sala e ele inventava de ir para baixo da mesa e não tinha quem tirasse ele de lá, e  sempre que tinha oportunidade fugia pela escola. Como foi difícil aquele ano, eu me sentia incapaz, de mãos amarradas e ninguém me dava uma dica de como agir.

     No município em que trabalho, os alunos de 0 a 3 anos não podem ser encaminhados pela escola para atendimento com especialistas, como psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros, somente os alunos da pré-escola tem esse direito. Isso é muito ruím, pois não temos apoio, a não ser conversar com os pais e pedir que eles levem o filho, o que muitas vezes não acontece.

     Eu trabalhava em grupos, individualmente e com a turma toda com esse meu aluno de inclusão, procurei nunca deixá-lo de fora de atividade nenhuma. Foi uma experiência marcante, pois eu aprendi muito com ele também.

 

Descrição da minha escola e a Inclusão

 

     Trabalho na Escola de Educação Infantil Branca de Neve, no município de Sapiranga, desde fevereiro deste ano, com uma turma de maternal 1. Lá tem um total de 214 alunos, distribuidos em 9 salas de berçário a jardim nível B. Temos na escola 4 casos de inclusão, 1 cadeirante, um síndrome de Down e 2 com problemas neurológicos, todos eles estão no jardim. Nossa escola recebeu a visita de uma especilista do NAE, que esteve analisando cada caso destes, mas depois disso ainda não deu retorno para a professora. O que é muito ruím, é que sabemos que todos tem direito a atendimento, mas nossos alunos do município, conforme falei antes, com menos de 4 anos não tem direito a atendimento especializado, portanto é preciso que os pais busquem esse apoio, o que podemos fazer é orientá-los.

 

 

 

            Serviços de Atendimento Educacional Especializado

 

 

       O município de Sapiranga conta com a APAE, que tem como missão promover e articular ações de defesa de direitos, prevenção, orientação, prestação de serviços e apoio às famílias, direcionadas a melhoria de qualidade de vida da pessoa com deficiência e à construção de uma sociedade justa e solidária. tem como diretora a senhora rejane moz, sendo que a escola atende 120 alunos, 44 alunos de escola especial, 45 no CAE (centro de atendimento especializado) e na parte clínica 31 alunos. a área técnica dessa instituição conta com profissionais capacitados na área de serviço social, psicologia, fonoaudiologia, estimulação precoce, fisioterapia, neuropediatria.

     Os projetos oferecidos pela APAE: esportes, expressão e dança, inclusão, empresa indusiva, literatura, psicopedagogia inicial, arte e artesanato, laboratórios de aprendizagem. tem também os projetos inclusão:  parceria com a smed, escolas municipais, creches municipais e escolas estaduais. nesse projeto alunos municipais participam dos projetos oferecidos pela instituição e tem acompanhamento clínico e pedagógico.

     O CAE consta dos projetos de: esporte, literatura, psicopedagogia inicial, grupo de artes, grupo de artesanato,dança e expressão, laboratório de aprendizagem, projeto de informática, culinária e horta.

     Tem também o EJA /APAE noturno, cujos alunos frequentam a apae, divididos em duas turmas, as idades dos alunos variam de 18 a 34 anos. 

     Nosso município disponibiliza também do nae (núcleo de atendimento ao educando), que foi criado em março de 2006 e é mantido pela secretaria de educação de sapiranga. neste ano o nae atende em torno de 130 alunos que frequentam no turno oposto as escolas municipais de sapiranga. estes alunos apresentam dificuldades de aprendizagem, autismo,distúrbios de conduta, deficiência física, hidrocefalia, algum tipo de síndrome, hiperatividade e outros. lá os alunos participam de diversas oficinas, como capoeira, artes, informática e outros. o objetivo do nae é resgatar nos alunos a auto-estima, desenvolver diferentes habilidades e capacidades, assegurando o respeito em relação ao ritmo e as limitações de cada um.

 

 Leis que garantem o direito de pessoas com Necessidades Especiais

 

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA de 1988 

LEI Nº 7.853/89 

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA)-1990 

DECLARAÇÃO DE SALAMANCA-1994 

LEI E DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LBD), 1996 

LEIS Nº10.048 E Nº 10.098-2000 

DECRETO Nº3.956 (CONVENÇÃO DA GUATEMALA)-2001

Saiba mais no site:#http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_234330.shtml

Estudo de caso:

 

 

    Estudo de Caso

 

     Vou relatar o caso de uma menina que vou chamar aqui de Maria. Esta menina começou a frequentar escola em março deste ano, tendo a professora e uma auxiliar para atendê-la. Após entrevista com a mãe soubemos, que a menina teve complicações durante o parto, faltando oxigenação no cérebro, após ser retirada a ferro, ficando com uma lesão na cabeça, ocasionando um coágulo. Esse coágulo foi retirado e segundo a mãe a menina ficou com água na cabeça, passou por uma cirugia onde foi colocado um tubo que deve ser trocado periodocamente, mas diz ela que a menina não teve mais esse problema de criar essa água na cabeça. 

     A Maria tem 4 anos e sua estatura regula com a dos colegas, mas não caminha, o que foi um problema muito grande no primeiro mês de aula, pois ela não tinha cadeira de rodas e a auxiliar tinha que carregá-la para todos os lados. De tanto a auxiliar e a professora reclamar, conseguiram emprestado uma cadira de rodas e ficou mais fácil atendê-la já que usa fraldas e é preciso ser deslocada para outra sala toda vez que precisa ser trocada, daí a reclamação da auxiliar que não aguentava mais a dor nos braços e costas.

     A menina Maria é uma criança encantadora, falante, muito comunicativa e adora cantar músicas religiosas, além disso é muito educada, quando quer alguma coisa pede por favor, obrigado... Mas quer a atenção da professora e auxiliar só para ela, se uma delas estiver com Maria e algum aluno chega perto ela pede para que saia de perto e faz manha pedindo: - Fica comigo! - Me dá a mão! - Não me deixa, não sai de perto de mim! As educadoras estão tentando achar um jeito de lidar com  a situação. Ela interage com os colegas, mas sem as educadoras por perto, pois se uma delas chegar, Maria dispensa os colegas e não aceita que eles continuem perto.

     Maria está no jardim nível A, estuda pela manhã, sua família é de classe média-baixa. Ela frequentava outra escola de educação infantil no ano passado, perto de sua casa, porém sua família mudou-se para Santa Catarina e a menina perdeu a vaga na escola. Nesse ano eles voltaram para Sapiranga e através do Conselho Tutelar, conseguiu vaga somente na nossa escola, por isso a família precisou contratar um transporte escolar para trazê-la  e buscá-la na escola. E além do problema da falta de cadeira de rodas no começo do ano, ainda o motorista do transporte, se recusava a carregar a menina até a sala, tendo que chamar a auxiliar para retirá-la  e depois, na saída, deixá-la de volta até com o cinto de segurança colocado na mesma, se negando a  encostar na criança. A mãe foi chamada e a ela foi repassado tudo o que estava acontecendo, então a mãe trocou empresa, sendo que agora o motorista é muito atencioso, carrega a menina no colo, conversando e demonstrando muito carinho por ela.

     Nesta semana eu obtive mais informações sobre a Maria, com uma auxiliar que trabalhou na sala da menina, no maternal, no ano passado na outra escola. Ela disse que a mãe de Maria deixou-a no hospital em POA, quando a mesma nasceu, durante dois meses para doação, pois não a queria. A avó da menina resolveu buscá-la e a criou até pouco tempo atrás, então a mãe tomou conta da menina ficando com ela. Maria não tem um bom tratamento e cuidados com a família, que não procura algum atendimento especializado para ela, ficando de procurar, mas isso nunca acontece, sempre dando uma desculpa.

     Seus pais são bem jovens e a pouco se separaram. Nos finais-de-semana, Maria vai para a casa do pai, percebe-se que ela sente muito a separação dos pais. Hoje conversei com ela, que me disse que não tem irmãozinhos e que gostaria muito de ter. A turma da Maria vai uma vez por semana na Escola Érico Veríssimo perto da creche para aula de informática, a professora disse que Maria fica muito feliz, embora não consiga acessar sozinha o computador.

     Conversando com a professora descobri mais coisas a respeito de Maria, ela tem hidrocefalia pós hemorragia, segundo a avó, que veio conversar com a professora. Ela não recebe atendimento nenhum no momento, disse que antes  ela fazia fisioterapia pelo SUS, mas está agora na fila de espera pois tinha ido embora da cidade, perdendo sua vaga de atendimento. No mês passado a psicopedagoga do nosso município esteve visitando a sala de Maria e  encaminhou-a para atendimento no NAE, mas é preciso que tenha vaga, portanto pode demorar.

 

          Falando em relacionamento, A Maria é uma menina encantadora, simpática, conversa com todos que chegam perto dela, dando muita atenção e falando com muita educação. Ela é muito querida por todos na escola, professores, direção, funcionários, alunos e pais, ela realmente cativa as pessoas. No começo das aulas, ela queria a atenção da professora e auxiliar só para ela, dispensando as crianças que chegavam perto, mas agora depois de muita conversa, ela já aceita dividir os adultos com os colegas.

 

          Nossa escola está buscando todos os meios para de fato incluir seus alunos. Foram feitas várias rampas de acesso para cadeirantes, e nesta semana foi feita mais uma na entrada da sala de Maria. A cadeira de rodas de Maria foi adiquirida através de muita luta da direção, e agora conseguiram mais uma cadeira com adaptação para que Maria possa desenvolver trabalhos na mesma. Falndo em aprendizagens, a professora da menina disse que ela não quer participar das atividades com o grupo, pois quer a atenção só para ela, no momento que, por exemplo, estão cantando uma música, ela não canta e fica tentando tirar a atenção da professora , porém depois mais tarde, na pracinha, ela começa a cantar a música. Quando a professora está falando com a turma, explicando alguma coisa, Maria fica o tempo todo pedindo: - Me dá uma folha, quero fazer o trabalhinho! Mas quando ela recebe a folha juntamente com os demais colegas, aí ela não faz nada. A professora disse não saber como avaliar a menina, pois ela não consegue desenvolver quase nada com ela, vai pedir auxílio para a coordenadora. Fui então buscar apoio com a nossa coordenadora, que me forneceu um material(polígrafos), para que eu lesse e depois passasse para a professora. Lendo um texto descobri o seguinte: 

O fazer pedagógico: ajustes e adaptações que viabilizam o processo de avaliação

      O trabalho escolar deve ser assessorado por professores especializados em educação especial e profissionais como fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros. Este deverá estimulá-los em utilizar suas reais possibildades para conhecer o mundo, bem como a utilização de recursos ergonômicos(adaptações do meio físico). No caso da Maria, ela está na espera para atendimento semanal no NAE, com especialistas como os citados acima. Continuando, essa criança precisa de:

- um olhar integral e não somente voltado para a sua dificuldade

- uma relação que vá além da objetividade pedagógica

- ser visto segundo suas possibildades e não impossibilidades

Enfim, essa criança precisa de uma equipe estruturada para ajudá-lo a se desenvolver não somente nas questões cognitivas, mas, também, sócio-afetivas.

     A professora de Maria disse que não consegue desenvolver muitas atividades  práticas com ela, pois ela se recusa na maioria das vezes a realizá-las. Disse que desenvolve muitas atividades lúdicas, já que se trata de educação infantil, tais como: música, fantasias, histórias, brincam de pega-pega com a auxiliar empurrando a cadeira, Maria joga bola com os colegas, atirando-a com a mão para eles. A auxiliar ajuda Maria em atividades com tinta têmpera e ela gosta muito, dá risadas gostosas. Falei para a professora da Tecnologia Assistiva, e ela ficou surpresa, pois disse não conhecer, mas depois não mostrou interesse em saber mais.

     Quanto à avaliação, é feita por pareceres, e a coordenadora da escola emprestou um material de apoio para a professora desenvolver o parecer de Maria. A passagem de ano é por progressão, no ano que vem Maria irá para o jardim nível B.

     No texto Diversidade e Currículo diz que para ensinar uma turma toda, parte-se da idéia de que todas as crianças sabem alguma coisa, e que todas podem aprender, cada um do seu jeito e ao seu tempo. No caso de Maria ela sabe muitas coisas e tem um potencial muito grande que precisa ser trabalhado.

     Todo o caso de inclusão é um desafio para nós professores, pois ele move com nossas estruturas, à procura de estratégias, recursos que nos ajudem a desenvolver um bom trabalho com a turma toda. Acredito que a interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais trouxe um acervo muito grande de conceitos e idéias, que com certeza me serão muito úteis quando eu receber um aluno como Maria ou com outras limitações.

    

   

    

 

 

 

    

    

 

 

  

 

Comments (5)

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 8:21 pm on Apr 7, 2009

Olá, Ana, sempre nos deparamos com dificuldades na nossa caminhada, com certeza hoje tens mais experiencia e não te sentirias tão mal. Esperamos que a disciplina possa te dar mais subisidios.
Abraços
Maria del Carmen

lpasserino@... said

at 6:33 pm on Apr 22, 2009

Oi Ana...conta mais sobre como desenvolvia as atividades, se colocavas ele em grupo, em que situações ele se tornava agressivo. Houve algum tipo de apoio da direção? tinhas acesso por exemplo a outros profissionais para te darem sugestões? algum tipo de formação da prefeitura? ....tudo o que te lembrares, pois com certeza foi uma experiência rica nao?

lpasserino@... said

at 8:32 pm on May 12, 2009

ANa

a Maria está em qual jardim? ou no maternal? a familia é participativa, conta um pouco mais do perfil dela para a unidade 4 ficar completa

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 7:54 pm on May 26, 2009

Oi, Ana, podes nos contar um pouco mais da vida de "Maria", para que fique mais completa, como sugeriu a professora Liliana?, tambem não esquece que ja esta em andamento a unidade 5.
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 9:12 pm on Jun 24, 2009

Oi Ana

tens como colocar alguns exemplos de trabalhos propostos pela professora? e algum trabalho feito pela Maria?
outra coisa, como se procede na avaliação desta aluna? é pelo conselho? é feito por parecer descritivo? e a passagem de serie é por progressão? conta mais detalhes.
abraços
liliana

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